Precisamos falar sobre sonegação

Precisamos falar sobre sonegação
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04 de Setembro
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Na semana passada muito se falou da intenção do governo de aumentar impostos. Claro que houve grande objeção de todo lado – inclusive minha, manifestada numa entrevista para a TV.

Nos últimos anos, os brasileiros estão fazendo um sacrifício atrás do outro para pagar a conta dos descontroles de nossos governantes, e provavelmente ainda teremos muito a ralar antes de colocar o Brasil nos trilhos. Principalmente as classes média e baixa, que viram perder empregos, poupanças, oportunidades, desejos, sonhos, faculdade dos filhos, enfim, muita coisa duramente conquistada foi por água abaixo.

Por isso, o governo, antes de continuar esfolando o brasileiro com novos tributos, deveria fazer seu trabalho. Por exemplo, vejo uma enorme quantidade de dinheiro público sendo sonegada nos pequenos e médios comércios e serviços. Me refiro àqueles lugares que não dão nota fiscal de forma espontânea, que têm que pedir por favor para dar a nota, e ainda olham feio pelo trabalho “a mais”.Você, leitor, já deve ter lembrado de alguns lugares assim, eu aposto.

O sonegador, além de cometer um crime, sabota o desenvolvimento das melhorias sociais e econômicas, que dependem justamente dos tributos. E também pratica concorrência desleal, guardando o tributo sonegado em benefício próprio, ou usa como um diferencial competitivo nos preços, roubando clientes de quem paga impostos legítimos.

Quando o consumidor dispensa a nota fiscal, sem querer termina por ser conivente. O cidadão precisa ser consciente desta pequena ação cívica: pedir sempre a nota fiscal. Fornecer nota fiscal não é um favor, é uma obrigação em qualquer compra de produto ou serviço!

Minha sugestão seria que o governo – que é “o cara” que controla que as regras sejam cumpridas – cobrasse de quem não paga impostos, antes de continuar inventando mais impostos em cima de quem paga.

E fica o alerta: no final do dia, quem paga qualquer aumento de impostos é a população, ou seja, o consumidor, aquele que compra qualquer produto ou serviço, ou seja, todos nós. É  uma ilusão – que alguns insistem em acreditar – de que que paga o imposto é o empresário. O empresário nada mais é de um intermediário do imposto, que é transferido no final da conta.

 

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Fonte: Estadão

 

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