Carreira de sucesso na era da transformação digital

Carreira de sucesso na era da transformação digital

Célia Campos, diretora executiva do Grupo Meta RH, fala sobre gestão de carreira e liderança na era digital.

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05 de Junho
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Nunca antes na história da Humanidade se conviveu com tantas informações simultaneamente, tudo isso devido à evolução da tecnologia. Por exemplo, o ábaco foi a primeira calculadora e durante vários séculos foi sendo desenvolvida e aperfeiçoada, se tornando a principal ferramenta de cálculo por anos e somente depois foi substituída pela régua de cálculo criada pelos intelectuais da época do Renascimento.  E, para concluir este flash back, em 1693 o padre inglês chamado William Oughtred criou uma tabela amplamente relevante para a realização de multiplicações muito grandes, e a base de sua invenção serviu de pesquisas para o escocês John Napier, que descobriu várias propriedades matemáticas interessantes e deu a elas o nome de logaritmos. Pensar neste processo nos faz perceber claramente esta evolução.

 

De lá para cá a tecnologia mudou fundamentalmente o ritmo das coisas. Mas foi a partir da computação moderna, ou seja, o uso de computadores digitais, que as mudanças em inovação se tornaram cada dia mais rápidas. Desde a criação da primeira geração, em 1946, até a quarta geração iniciada em 1970 e que segue até hoje, conhecida pelo advento dos microprocessadores e computadores pessoais, as plataformas digitais não somente remodelaram a forma com os negócios são conduzidos, como também a sua própria natureza.

 

Estamos convivendo com a transformação digital — software que pode prever nossos comportamentos e necessidades, cloud computing, redes sociais, mobilidade, Inteligência Artificial, Internet das Coisas e até o propósito do trabalho.  A forma com as pessoas vivem e trabalham está mudando e continuará a mudar.  Uma pesquisa do MIT (Massachussets Institute of Technology) com líderes de negócios nos níveis de C-Suite, concluiu que as empresas de alta performance combinam estratégias digitais de negócios com diretrizes da liderança para melhorar a experiência do cliente, otimizar os processos operacionais e atualizar os modelos de negócios.

 

De outro lado, as empresas também estão tendo que lidar com questões como aquecimento global, sustentabilidade, diversidade, convivência entre gerações e o futuro do trabalho, ou seja, o tão conhecido VUCA – Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, sigla em inglês que vem cada vez mais sendo discutida em ambientes corporativos sobre o processo de transformações do mundo atual. Neste contexto, liderar também é um processo desconhecido e pode suscitar perguntas ainda difíceis de responder para muitos profissionais, como: quais as capacidades preciso perseguir e desenvolver na organização? Como liderar pessoas com esses valores em evolução? Por quanto tempo meu modelo de gestão ainda vai funcionar?

 

Diante de tantas mudanças e inovações tecnológicas, o que o profissional - independentemente da geração a que pertence - precisa fazer é pensar na carreira como um processo de transformação, que permite evolução e adaptação a novos conceitos da era digital.  

Os empregos são mais variáveis e as habilidades se tornam mais obsoletas que antes. As organizações estão contratando menos, pagando menos, em alguns casos substituindo a força de trabalho humana por máquinas e terceirizando sempre que possível.

 

Os líderes, especialmente da geração Baby Boomer e X, devem usar a tecnologia a seu favor; as mídias sociais, por exemplo, passaram a ser uma necessidade humana básica, porque as pessoas querem estar conectadas, fazer a diferença e se entrosarem. Construir e desenvolver uma sólida rede de contatos é imprescindível para o profissional que almeja construir uma forte marca pessoal e destacar-se no ambiente de trabalho. Seguir as fontes certas e especialistas do setor em que o profissional atua é importante para mantê-lo atualizado. As redes de contatos ajudam o profissional a permanecer ligado às pessoas que conhece, tornando mais fácil abrir portas para novas oportunidades, mas é importante criar perfis em redes sociais selecionadas. O ideal é que o profissional tenha o seu perfil nas quatro maiores plataformas: LinkedIn, Google+, Twitter e Facebook, mas, uma vez que é criado um perfil na mídia social, é importante gerenciá-lo ativamente, portanto, não se inscreva em um número maior de redes do que consegue gerenciar. E, saiba quando ter um contato pessoal, pois existem ocasiões em que o tempo dedicado o contato presencial é fundamental.

 

Outra forma do profissional promover o know-how é usando o vídeo, pense no YouTube como outra maneira de construir a sua marca, dizendo algo sobre um projeto bem-sucedido, sem revelar informações confidencias ou criando um vídeo sobre algum assunto que possam interessar o público que você pretende atingir,  mas tenha cuidado para que o texto não ultrapasse 2 a 3 minutos de duração que é o máximo que as pessoas assistirão e, antes de publicar qualquer conteúdo nas mídias, é importante verificar as políticas da empresa.  

 

NOVA ONDA DE TALENTOS

No relatório da AESC (Association of Executive Search Consultants) sobre a nova onda de talentos executivos, canalizando os líderes da geração X e Millenium, para liderar mudança e prover inovação, foram entrevistados mais de 850 executivos de negócios globalmente para obter informações sobre seus maiores desafios organizacionais até momento e como eles estão preparando a próxima geração de líderes para conduzir o navio à medida que o talento da Baby Boomer se retira da força de trabalho. O que eles encontraram foi um grau de ansiedade nos executivos sêniores de como lidar com o ritmo do clima de incerteza e de rápida mudança econômica, social e tecnológica. Entretanto, o desconhecido traz sempre risco e oportunidade.

 

Quanto a atrair, reter e desenvolver a nova geração de líderes executivos, o planejamento de sucessão é o primeiro ponto a ser trabalhado para garantir a longo prazo a continuidade do negócio. A próxima geração lidará com diferentes tipos de organização, mais dinâmicas e decentralizadas, baseadas em soluções digitais e na habilidade de liderança, pensamento estratégico, comunicação, atitude positiva e relacionamentos interpessoais.

 

Tendo em vista essas realidades, a habilidade mais crucial que qualquer profissional pode ter, seus pontos fortes, são suas competências como, por exemplo, liderança, organização ou valores, porque embora o seu emprego possa mudar amanhã e a tecnologia esteja constantemente em mudança, os seus pontos fortes são a sua constante, que o acompanharão, independente das mudanças tecnológicas. Por isso, é importante descobrir como usar os seus pontos fortes e os seus valores únicos na sua marca pessoal e se tornar indispensável — a marca pessoal é a chave para o sucesso.

 

Por Célia Campos

 

 

 

 

Célia Campos é diretora executiva da Meta Executivos, divisão do Grupo Meta RH especializada em prover soluções em Executive Search para Média e Alta Gestão e Desenvolvimento Organizacional.

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