O uso de medicamentos no desempenho profissional

O uso de medicamentos no desempenho profissional

O uso de medicamentos para aumentar a produtividade ou para inibir o sono, é cada vez mais utilizado por executivos e estudantes. Na tentativa de potencializar seus rendimentos e amenizar a pressão por metas e relações interpessoais complicadas, muitos profissionais acabam sendo reféns destas substâncias.

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22 de Fevereiro
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Trabalhar por mais de 10 horas diárias, necessitar estudar por 14 horas para um concurso ou vestibular, e turnos dobrados, são rotinas de muitos indivíduos na atualidade e também são premissas de um bom rendimento profissional para muitas empresas.

“Estudar ou trabalhar pela madrugada é uma rotina em nossos dias. As anfetaminas vêm tentar suprir esse espaço entre a exigência e a capacidade do indivíduo em apresentar resultados, ocasionando uma melhoria no rendimento em curto prazo, gerando uma ilusão de maior competência. Mas essa resposta acaba sendo progressivamente menor e ocasionando sérios efeitos colaterais com o tempo”, explica a psicanalista Ana Suruagy Botto, diretora do Núcleo Psicoterapêutico Espaço Psique.

A principal fonte de motivação para os profissionais buscarem o uso de medicação psiquiátrica é seu efeito imediatista, com a alteração do funcionamento cerebral tanto para o relaxamento através de calmantes, como para excitação por meio dos estimulantes. “A utilização de medicação psiquiátrica altera o funcionamento cerebral e, consequentemente, o comportamento emitido. Desta maneira, uma pessoa com alto nível de irritabilidade pode apresentar comportamento mais tolerante, sob efeito de medicação, mas não significa que aprendeu a controlar racionalmente a sua irritabilidade. Uma vez suspensa a medicação, o comportamento anterior, que se mostrava desadaptado, retorna”, orienta a psicólogo Tereza Karam.

Ainda segundo Tereza, o uso prolongado de certas substâncias provoca dependência emocional como se fosse proibido sentir emoções negativas ou exacerbadas, inclusive as positivas como entusiasmo. “Toda medicação apresenta efeitos colaterais, e aquelas para uso que interferem no funcionamento do cérebro não fogem à regra, neste caso, podendo causar problemas físicos como alterações cardíacas, insônia, diminuição de libido e comportamentais como, aumento de agressividade e desenvolvimento de doenças mentais. Em função deste estilo de vida, as doenças programadas no código genético acabam sendo desencadeadas ”, completa  a psicóloga.

Substâncias e Efeitos

Para Tereza Karam, existem dois grupos importantes de medicamentos a serem discutidos. Os calmantes, que são utilizados para controlar reações de ansiedade desencadeiam os seguintes efeitos:

  • Não transparecem o medo do baixo desempenho;
  • Ajudam a tolerar a frustração com o trabalho em equipe;
  • Ajudam a suportar a pressão das metas.

Os estimulantes, que são utilizados para aumentar a produtividade, tem as determinadas reações:

  • Agem diretamente da capacidade de uso do corpo, ou seja, aumentam o nível de rendimento e aumentam a concentração;
  • Aumentam o entusiasmo;
  • Diminuem a sensação de sonolência e cansaço.

Segundo o Dr. Fernando Portela Câmara, médico-psiquiatra, algumas drogas estão sendo testadas e já são utilizadas em ambiente restrito como militares, negociadores e astronautas em missão. No mundo executivo, testa-se e se faz uso de drogas que reduzem a necessidade de sono sem interferir na disposição intelectual e concentração, como o metilfenidato e a modafinila.

“É importante que se diga que a droga universalmente utilizada nesses ambientes é o café, servido livremente sem limite de uso nas repartições de nosso país. É uma droga de uso livre e socialmente consagrado, que tem benefícios e também pode causar dependência em alguns casos”, ressalta Câmara.

Ainda para o doutor, evitar estes tipos de substâncias é fundamental para uma vida mais saudável e para um rendimento legitimo do profissional. “Dormir regularmente e nos horários certos, manter uma atividade física regular, alimentar-se sem sobrecarregar o estômago, exercitar o cérebro com leituras, palavras cruzadas e sudoku. Praticar meditação ou yoga nas horas vagas ou intervalos do trabalho. Ou, até mesmo, participar de algum grupo de discussão também traga benefícios, pois, mantem a mente lúcida e ativa”, conclui o especialista.

 

Fonte: Blog da Catho

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