Coerência. Palavra-chave para...

Coerência. Palavra-chave para...
Dicas
15 de Agosto
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Segundo os dicionários da Língua Portuguesa, coerência remete à ligação ou harmonia entre situações, acontecimentos ou ideias; relação harmônica; conexão, nexo, lógica. Sendo assim, considero coerente aquele que pensa, fala e age de maneira que haja nexo e harmonia nas ações. É claro que manter-se coerente é complexo. No entanto, não convém adotarmos um estilo de gestão baseado apenas em dados e fatos, se a informação não é coerente com a realidade. Precisamos adotar comportamentos baseados em valores. Coerência é percebida por comportamento constante, abotoado aos nossos valores e princípios.

A coerência, portanto, está relacionada à credibilidade pessoal, o que requer trabalho consistente. A falta de coerência causa um prejuízo nem sempre percebido. O primeiro sinal é a desarmonia dentro das empresas, a ausência de lógica ou conexão entre as ideias e ações por parte dos dirigentes e gestores. Essa coerência é a base para a existência da confiança na empresa, nos outros e em si mesmo.

No mundo corporativo, constantemente ouvimos os diretores e gerentes dizendo: “preciso da opinião e participação de todos”. Entretanto, muitos exemplos mostram o contrário. Quando conduzem uma reunião, vários acabam decidindo tudo apenas por si. Do outro lado, funcionários prometem metas incríveis, tentando se destacar dos demais, e depois não conseguem atingir seus objetivos (a culpa, claro, sempre recai nos colegas, nos clientes, no governo e afins). Problemas relacionados à falta de comunicação, trabalho em equipe, e comportamento, podem ter pelo menos uma parcela relativa à falta de coerência.

Atitudes não coerentes geram um círculo vicioso, alimentam conflitos e, consequentemente, levam à desmotivação e mais incoerência. O clima piora e as pessoas deixam de confiar uma nas outras, esperando sempre algo contrário ao o que é dito, já que sua experiência mostra que o real é diferente do prometido.

A complexidade está no ato de gerenciar seu próprio comportamento. Por isso é fundamental, a cada decisão e cada interação com alguém, oferecer a verdade para as pessoas. São nas revisões de orçamento e nas discussões de desempenho, que damos o passo primordial para ser ou não ser coerentes. São esses os momentos em que, muitas vezes, comprovamos que a nossa jornada é diferente da nossa própria fala. Logo, não podemos fazer um discurso quando não há garantia de cumprimento do que está se prometendo. Devemos calcular o alcance das nossas palavras, ver o quanto são significativas para quem as ouve. O discurso deve, portanto, refletir sua prática. O incoerente não apenas descumpre o que planeja, mas também padece de uma deficiência primária: desconhece o peso e o valor de sua palavra, assim como ignora o fato de que a palavra perde sua intensidade a cada vez que é descumprida.

Chega a ser clichê, mas a velha história do menino que, de tanto mentir que estava se afogando, acabou ignorado ao se afogar de verdade, cabe perfeitamente neste tema. A coerência é uma palavra muito usada no dia a dia, mas cuja essência poucos conhecem a fundo. Pior: poucos avaliam as consequências de se percorrer um caminho que nos distancie dela. Seja para uma corporação, seja para um executivo, seja um chefe de família; ser coerente é um dos pilares para se construir a credibilidade, algo que está tão em voga nos tempos de crise política e econômica que vivemos.

Aliás, não seria a falta de coerência um dos principais, senão o mais relevante, motivo para tempos tão difíceis? Tempos em que políticos, empresários e servidores se afastam cada vez mais da honestidade e ética – um dos principais valores que deveriam guiá-los. Mais um exemplo de como a incoerência pode abalar até mesmo uma nação.

 

Fonte: Guia Executivo

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